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Saidseni
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Profile Information

Nome artístico / Pseudónimo(s):
Saidseni
Data de Nascimento:
29/12/83
Ocupação:
estudante
Localidade:
Lisboa
Website:
http://www.lomohomes.com/saidseni
Áreas de intervenção artística / Interesses:
Fotografia
Literatura
Período de colaboração no suplemento:
2000-2006
Sobre o Autor:
...

Escritos


Vazio
Eternamente à espera… o mundo pareçe suspenso à minha volta.
As tardes passam-se bem na biblioteca, as noites arrastam-se...
Mais um charuto em frente à televisão. A busca da alienação.
Começo a ver o mundo por uma bolha outra vez.
Rios correm, a Terra gira, e nesta pequena ilha de ausências e lembranças onde me torno ermita, nada se sente. O mundo cobriu-se com o luto do Inverno. Um vazio que desta vez vem de fora.
“...estou farta de amostras...”...
Abanem-me! Sacudam-me, encham-me de brilhantes! Cantem para mim, puxem-me para dançar. Dêem-me Carnaval! Façam-me chorar a rir! Enganem as cartas, baralhem os astros. Escrevem-me um poema. Comovam-me. Enfrentem-me, encarem-me.
... e por favor, levem-me às estrelas!

Agosto na Praia
De todos nós que passávamos o mês de Agosto na praia, a minha avó era a única que não sabia nadar. Quando ela se levantava da toalha e caminhava até à beira-mar, eu e os meus primos seguíamos atrás dela saltitantes, apontando os dedos e gritando: “A avó não sabe nadar! A avó não sabe nadar!”
Os meus primos, eu não sei. Quanto a mim, fazia-o porque gostava da avó exactamente por ela não saber nadar.
Enquanto nós saltávamos destemidos para o mar, com mergulhos e outras artes que os nossos pais nos passavam o mês inteiro a ensinar, a minha avó começava por molhar os pés à beira-mar. Depois, muito lentamente, entrava no mar e caminhava até ter a água a rodear a sua “barriga da idade”, como ela lhe chamava (fora sempre muito elegante).
A minha avó não sabia nadar mas sabia boiar, e aquele mar calmo tal permitia. Assim, enquanto os meu primos se entretinham nas suas brincadeiras aquáticas, eu ficava quieto, às vezes até tiritar de frio, a vê-la boiar rodando sobre si própria, embalada pela corrente, iluminada pelo sol que reflectia no seu fato-de-banho branco pérola.
Normalmente era a voz de um dos meus primos-golfinhos que me despertava do transe. Juntava-me a eles, mas ainda distraído. Mergulhava, mas voltava rápido à superfície para deitar o olho à minha avó. Um deles queixava-se, “tens de aguentar mais tempo debaixo de água para conseguires passar entre as minhas pernas!”. Mas eu tinha ainda que observar o último momento, aquele em que a minha avó se erguia e caminhava para fora do mar, os seus olhos azuis sempre a espreitar por cima do ombro, atentos às pequenas ondas que vinham rebentar docemente nas suas pernas. Quando chegava à “areia molhada”, como dizíamos em pequenos, dava três passinhos mais rápidos e olhava para trás para se certificar se nós, os seus netos, estávamos sãos e salvos.

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